Stephen R. Covey* liderou uma pesquisa com pessoas em todo o mundo para descobrir quais eram seus principais desafios: na vida pessoal, no trabalho e no mundo em geral, 7834 pessoas que englobavam todos os continentes e níveis de vários tipos de organizações responderam:

Em suas vidas pessoais: O desafio mais pessoal é a pressão pelo excesso de trabalho que gera cansaço e pouca energia disponível para cuidar da família e o relacionamento, o que acarreta problemas e em consequência desequilíbrio geral; e junto ao excesso de trabalho encontrasse a insatisfação profissional.

No trabalho: As principais preocupações em relação ao trabalho é a escassez de capital e de lucros, perda de mercado e empregados que não conseguem encontrar mais sentido no que estão fazendo e saem do trabalho ou ficam pouco comprometidos e engajados.

No mundo: Na opinião de nossos entrevistados, os três primeiros desafios que enfrentamos como seres humanos são a guerra e o terrorismo, a pobreza e a destruição do meio ambiente.

Neste ultimo ponto S. Covey comenta que os índices de raiva no mundo tem sido cada vez mais altos. Famílias brigam, colegas de trabalho discutem, agressores cibernéticos espalham terror nas redes sociais. Comentaristas desdenhosos invadem as mídias e quanto mais ultrajantes seus ataques, mais dinheiro eles fazem.

O que nos faz muito mal como sociedade. Elizabeth Lesser especialista em bem-estar diz “Fico profundamente perturbada ao perceber o modo como todas as nossas culturas demonizam o outro […] as piores eras da história da humanidade costumam começar assim, COM UMA VISÃO NEGATIVAS DOS OUTROS. E então isso se transforma em um violento extremismo”*. Sabemos muito bem como termina essas coisas, o que serve para refletir e pensar em alternativas sobre nossas posturas atuais perante a política, religião, diversidade de gênero, ambiente, etc.

Não importa a abordagem escolhida para encarar os nossos problemas, haverá sempre consequências naturais para elas (próximas aos nossos desejos ou distantes deles). A guerra gera guerra, as vitimas tornam-se dependentes, a realidade empurra as pessoas para a negação, os cínicos não contribuem em nada. E se continuarmos fazendo as mesmas coisas, as mesmas escolhas que sempre fizemos, pelos mesmos motivos, esperando que desta vez os resultados sejam diferentes, não estaremos enfrentando a realidade.

Há uma maneira de resolver os problemas mais difíceis que enfrentamos, mesmo que parecem insolúveis. A maioria dos conflitos tem dois lados: a equipe boa e a equipe ruim.  Em cada caso existe uma alternativa, quase tudo mundo se identifica com uma ou com a outra. O problema no entanto não está no mérito do “lado” ao qual pertencemos, mas geralmente, no modo que pensamos. O modelo de pensamento que influencia o modo como nos comportamos; você conhece o seu? Quanta ciência tem do impacto que tem seu jeito de pensar nas ações e decisões que toma?

O mapa que vemos determina o que fazemos, e o que fazemos o resultado que obtemos.

A lente que usamos para ver o mapa que vemos, influência no que vemos e fazemos. Qual é a lente que nós usamos? A lente de nosso modelo mental (que usamos de forma automática), neste ponto o autoconhecimento e autoconsciência é fundamental para tomar melhores ações conforme nossos desejos, o que se traduz numa maior maturidade emocional e uma maior satisfação com a própria vida gerada pela congruência entre nossos desejos e ações.

Se em nosso modelo mental predomina: um pensamento binário, julgamentos aquilo é bom… aquilo é ruim… com certeza nós veremos imersos em debates acalorados com os outros e em problemas que aparentam não ter solução, já que é o nosso jeito o certo e não tem mais cabida para outro mesmo oferecendo para nós a saída da situação problemática.

Se em nosso modelo mental existe valoração de cada membro da família como um indivíduo único que contribui com um tempero diferente para a mistura, existem maiores probabilidades de que nossa postura no trabalho e na sociedade tenha esse mesmo tipo de apreciação; e em consequência vivamos em ambientes de maior harmonia e tolerância, terreno ideal para a criação de novas ideias, evolução e desenvolvimento .

Ironicamente épocas de preconceito, julgamentos, onde predominam os pensamentos binários tem sido grandes oportunidades para os surgimentos de movimentos inspiradores, transformadores para a humanidade, um exemplo disso foi o Gandhi: ele foi expulso de um trem por causa da cor de sua pele. E isso o humilhou tanto, que ficou sentado na plataforma da estação a noite toda, imaginando o que poderia fazer para obter justiça. Sua primeira reação foi de raiva, queria justiça olho por olho, queria responder com violência às pessoas que o humilharam, mas ele pensou que aquilo não traria justiça e perpetuaria o ciclo de conflitos*.

Ele desenvolveu a filosofia de não violência e a colocou em prática em sua vida, em busca de justiça na África do Sul. Gandhi não era perfeito e não atingiu todos seus objetivos, mas ele transcendeu o raciocínio de duas alternativas; ele não estava disposto a fugir e também não a lutar, pois isso é o que fazem os animais encurralados lutam ou fogem, e é o que acabamos fazendo os seres humanos quando ficamos presos em pensar que apenas temos duas opções. Gandhi achou uma terceira a não violência criativa.

Como podemos ir na direção de uma terceira alternativa? Como podemos treinar nosso cérebro a deixar de fazer escolhas pensando lutar ou fugir? Tudo inicia pelo autoconhecimento, como funciona nosso modelo mental? E depois que sabemos disso, o que podemos fazer ou desenvolver para que o habito das duas opções/alternativas não predomine em nossas escolhas e nossas ações.

Nos próximos artigos falaremos mais de ferramentas que podem nós auxiliar neste sentido.

 

*Citado em Stephen R. Covey A terceira alternativa.

Principais desafios na vida pessoal, no trabalho e no mundo em geral

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